Bebes prematuros, pai mais ainda.

Pra quem não sabe, sou pai. Não há muito tempo, uns 4 meses. Quando olho pra trás, vejo que os últimos meses passaram voando. Tenho duas filhotas, Manuela e Melissa (ainda soa estranho dizer isso), gêmeas que nasceram prematuras e deram um baita susto em nós. Mas se mostraram super fortes e estão duas bolotas lindas e espertas. A Mel passou uma situação até mais critica, mas estão ai, cagando, dormindo, comendo e arrotando nesse looping infinito de trabalho braçal. Agora intercalando uns sorrisos lindos que motivam qualquer pessoa a acordar as 5 da manhã e ficar de bem com a vida.

Como disse, elas nasceram prematuras. Não estavam oficialmente prontas para encarar esse mundo biologicamente falando e, do ponto de vista paterno, nunca estarão. Quando nasceram, tinham dificuldades em comer e respirar e por isso a preocupação com elas era grande. Muitas coisas podiam acontecer e nada era certo num horizonte de mais de 3 dias. O que só recentemente me dei conta, é que não só elas eram prematuras, mas eu também. Tenho 22 anos, um jovem! Um juvenil. Devido a minha criação devo ser mais adolescente que adulto. Se elas não estavam preparadas pra viver, eu não estava preparado pra ser pai. Não pelo meu ponto de vista. Explicarei.

Olho para meu pai e vejo um grande homem a quem admiro e que a até pouco tempo atrás nunca havia julgado. O sentimento que tenho vindo da presença dele na minha vida me fazia pensar: “eu não sou esse cara, aquilo é um pai e eu definitivamente não tenho nada daquilo”.

Para quem não sabe, Marina e eu, namorávamos a distancia. Ela em Belo Horizonte eu em Florianópolis. As nenens obviamente nasceram em BH (quem não gostaria de ter o selo mineiro de qualidade atestado em cartório e ganhando de brinde o melhor sotaque do Brasil?) e o parto foi inesperado. Como foi tudo muito de repente vim in loco pra BH estar com minhas filhas e minha mulher o quanto antes. Porém, devido a aulas e tudo mais tinha que voltar logo, não poderia ficar muito mais que 4 dias. Passei esses dias em um hospital, dormindo em um sofá, comendo comida de hospital e passando horas e horas em pé olhando duas caixas com duas bolinhas dentro que inflavam e esvaziavam, bem pouquinho. E todos aqueles pensamentos de antes voltavam a minha cabeça de horas em horas.  Eles haviam martelado minha consciente durante meses.

Foi quando um dia, provavelmente sábado (dia que passei mais tempo com as nenens) ao final de uma visita, a Melissa ( que nasceu mais fraca) agarrou meu dedo (sei que é apenas um reflexo de recém nascidos) e foi nessa hora que aprendi o que eu seria dali pra frente até o fim dos meus dias. Foi com ela apertando meu dedo, com toda a força que um neném de menos de 2 quilos e que mal respira pode ter, que senti que o que era ser pai. Senti que ela pedia pra não ser abandonada, como quem pedisse: – Fica um pouco mais.

Entretantoo, a vida nunca é tão simples quanto deveria ser. Eu tinha que voltar em dois dias. E ficar quase um mês e meio sem ve-las. A viagem até o aeroporto de confins dura 1 hora, de confins a Florianópolis umas 4 horas com a escala mínima que eu tinha. Passei chorando todos os minutos dessa viagem. E em menos de mês tinha me mudado em definitivo pra Belo Horizonte.

Continuo não vendo em mim a imagem idealizada de pai que tenho na mente. Continuo me vendo como um jovem quase adulto com gostos de criança, mas desde aquele dia sei que o que é ter um filho ( no meu caso duas filhas).

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