O Homem de Aço

TAG RICARDOFala galera, bom, até agora, dei indicações sobre quadrinhos mais indies, que são os que eu mais gosto. Como disse no primeiro texto, muitos começam nesse universo com a Turma da Mônica, Disney  e logo passam para os super-heróis. Acho que esses, mesmo sendo considerados mainstream são na verdade, de nicho. Explico: Não é todo mundo que se identifica com um super-herói, por outro lado, nos quadrinhos mais alternativos e autobiográficos, essa identificação é bem ampla. Essa seria a regra geral, mas acontece que a industria de quadrinhos, como qualquer outra, sempre foca seus maiores esforços onde o lucro é maior. Isso faz com que a abrangência dos super-heróis seja tão grande. Quando falamos em HQ, logo pensamos em Batman, X-Men, Homem-Aranha e Super-Homem, talvez o maior ícone de todos. Justamente desse que falarei hoje.

Dia 18 de abril, Kalel, o mais antigo super-herói, fez 75 anos. Nasceu lá nos EUA, na época da grande depressão. Os Estados Unidos precisavam de um ícone, um símbolo, e foi daí que surgiu o Super-Homem e também o Capitão América, mais nacionalismo e americanismo que isso, impossível. Super-man está em todos os lugares da cultura pop. Seus filmes já são considerados clássicos e sua música tema, criada pelo grande mestre John Williams, é um marco. Impossível escutar e logo não fazer a correlação.

Estamos a véspera do lançamento de “Man of Steel, homem de aço”, um filme que vem pra dar um reboot no universo do azulão, e que promete ser um dos maiores filmes do ano. Falando nisso, já fizeram quase de tudo com o nosso amigo. Desde histórias galhofas, até o fato dele ser um E.T. órfão. A moralidade inerente a ele, sua humanidade, ou falta dela… Existem histórias super introspectivas sobre sua solidão perante a humanidade. E uma infinidade de histórias explorando as mais diversas facetas desse ser único. Muitas delas questionaram sua imortalidade, e se o super se estende até mesmo ao seu intelecto.

Não sou especialista no azulão, não li tudo a respeito e muito provavelmente não li nem um centésimo do que já foi publicado. Mas são os pontos acima citados que acho fantásticos: Os limites do ser super. O quão humano ele é por ter sido criado entre nós. Seu foco como humano, sua relação com o jornalismo, com o amor… Acho isso incrível. O Carlos Cardoso do blog contraditorium escreveu um post simplesmente absurdo usando essas premissas. Por ser tão “super”, a impressão que o Super-homem passa ao chegar na Terra, é que ele pode resolver tudo e salvar todos. É o messias numa correlação não religiosa, mas sim como salvador da humanidade. E é essa história que não só questiona isso, como da um tapa na cara da humanidade, mostrando que nem mesmo um extraterrestre com poderes divinos pode nos salvar de nós mesmos.

Superman Peace on EarthSuperman Peace on Earth de Paul Dini, ilustrado por Alex Ross, ganhador do Eisner de melhor graphic novel de 1999, retrata bem esse pensamento. O livro é pequeno, mas de mensagem bem reflexiva. Depois de ajudar com as festividades de natal em Metropolis, Superman se depara com uma jovem que está morrendo de fome. Muito mexido com a situação, resolve acabar com a fome no mundo, depois de descobrir que com a quantidade de comida produzida nos EUA, é possível alimentar todos os necessitados. O grande problema de logística, seria como distribuir toda essa comida. O homem de aço então consegue o auxílio do governo para angariar os alimentos e se responsabiliza pela distribuição de todo o alimento pelo mundo em um dia. Porém nada é tão fácil, e nem sempre as pessoas querem ser ajudadas ou tem problemas que são simples de resolver. 

Assim, nosso amigo com poderes de um Deus, aprende que mesmo sendo supremo em sua forma física, não pode resolver os problemas da humanidade por ele mesmo. A HQ nos faz refletir profundamente sobre a humanidade e nós mesmo. Não vou entrar em mais detalhes sobre a história e nem tecer comentários sobre os desenhos do Alex, que mais são obras de arte, pinturas! Uma das coisas mais lindas já feitas em quadrinhos.

Superman Red Son #1Mas como hoje é aniversário do azulão. E aniversário pede bis, fica aqui outra dica: “Superman Red Son”, ou no Brasil, “Superman entre a foice e o martelo”. Do genial Mark Millar, criador de tantos outros sucessos. Foi publicado em 2003 obviamente pela DC. Pra quem não sabe, o bebê Kal-el foi enviado de sua terra natal, que estava entrando em colapso, numa nave a Terra por seu pai Jor-El. Essa nave caiu na fazenda dos Kent, nos EUA. Ele cresceu nos preceitos do american way of life. Na liberdade do ser humano que os americanos pregam e acabou sempre defendeu isso. Agora, imagem se ele tivesse caído na URSS? E crescesse com preceitos comunistas? O que viria a ser?

A história tem essa premissa simplesmente fantástica e o desenrolar do enredo torna a trama ainda mais incrível. Faz uma crítica a guerra fria e ao modelo capitalista americano de uma forma super inteligente. Além do mais, tem um final que, pra mitologia do superman, é uma mudança de paradigma. Sem mais detalhes, a leitura é substancial para qualquer um.

Fica aqui duas dicas pra comemorar o aniversário desse grande ícone da cultura pop. Já são dois clássicos então se há algum fã de quadrinhos que lê isso aqui, não vai encontrar nada de novo. Mas para novos leitores é indispensável para expandir seus horizontes e acabar com certos preconceitos com histórias de super-heróis. Até a próxima 🙂

Quadrinho: Mouse Guard

TAG RICARDOQuem aqui já leu Senhor dos Anéis? Quem é fã da obra do J.R.R. Tolkien? Leram Silmarillion também? Contos Inacabados? Ou só viram os filmes e se dizem os maiores fãs? Posers! E Crônicas de Gelo e Fogo? Game of Thrones? Alguém?Imagino que muitos devem ter lido o primeiro livro. Uma chaproca de mais de 600 páginas. As Incríveis Crônicas Saxônicas do Cornwell? Romances semi-históricos da fundação do que viria a ser o outrora Grande império Britânico. Eu li. Tudo. Li todos os livros do Tolkien, os cinco oficias de Crônicas de Gelo e Fogo e já tenho em mãos a Trilogia do Cavaleiro (Spin-Off da série). Li os seis livros do Cornwell. Gosto muito de quase tudo que envolve fantasia medieval, não somente a fantasia em si. Além desses dois gêneros, gosto muito de história também.

Lembro que quando era pequeno, uma das minhas maiores diversões era ler livros de história medieval, pra descobrir mais e mais sobre aquele mundo tão diferente do que eu vivia. Era incrível! Por favor tenham em mente que, quando situo o tempo como medieval, o que me vem a cabeça são reis, cavaleiros, vikings, bárbaros e todo um universo que envolve países europeus entre 500 d.C. até 1500 d.C. Como disse, adoro fantasia medieval. Esse “que” a mais que as lendas medievais proporcionam, fazem desse período muito interessante.

Meu filme favorito durante anos, quando criança, era Coração de Dragão, depois Coração Valente e por ultimo Conan. Dentro desse universo todo, tão explorado na cultura pop, alguns anos atrás me deparei com um um quadrinho chamado, The Northlanders, da Vertigo. Vikings, selo adulto. Imaginei que teria uma dose cavalar de violência e histórias pra lá de complexas. Ledo engano, apesar do traço ser bonito, a história não era complexa nem violeta, era sim bem levinha, tanto que a série foi cancelada alguns exemplares depois.

Algumas semanas atrás, vasculhando confins da internet durante o horário de almoço, me deparo com um quadrinho que tinha levantado minha curiosidade anos atrás. Na minha fase de mangás (quadrinhos japoneses) a quase finada, praticamente zumbi, Editora Conrad, havia lançado alguns livros de uma série chamada “Pequenos Guardiões“. Em inglês, Mouse Guard. Lembrei de ter visto esse nome na lista de ganhadores do Eisner meses atrás.

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Fui atrás e consegui toda série até então lançada. Ela é bimestral e continua em atividade desde 2006. É pequena, quatro tomos de 150 páginas cada contado uma história só. Simples,  até meio boba, com diferentes níveis de interpretação. Mas é linda! O traço do desenho é muito bacana. David Petersen se mostra um dos melhores ilustradores da atualidade. A imersão que seu traço oferece…. MEU DEUS. Cada quadro da banda desenhada é uma obra de arte. “Pequenos Guardiões” chama a atenção pelo formato -quadrado 8″x 8″. E podem julgar os livros pelas capas. porque olhem, que capas!

Como eu disse, a história é simples, concentrada, porém densa. A ideia do autor era criar um enredo voltado ao público infantil. Entretanto, com uma série de toques maduros, David conseguiu superar esse rótulo e transformar a série num quadrinho para todas as idades. Torço muito que minhas filhas possam usufruir desse álbum assim que aprenderem a ler. Tenho certeza que ficarão fascinadas. Quem não vai amar ratinhos “mosqueteiros” que patrulham e protegem com unhas e espadas (ou o que tiverem em mãos) o reino dos ratos de invasores como as doninhas, cobras, raposas e gaviões?

Mouse Guard

O que mais levantou minha curiosidade foi: Porque ratinhos? Será que por ser um dos mais indefesos animais da natureza, e por ser mamífero, conseguimos ter uma certa projeção de nossa pessoa neles? Eles obviamente representam os humanos, são nossos avatares no mundo imaginário de Peteresen. Porém, mais de uma vez me pergunto como temos tamanha simpatia com nossos entes peludos e roedores? Ratos estão ai na nossa cultura popular, tanto quanto cavaleiros medievais, vikings, bárbaros. Filmes como “Um ratinho encrenqueiro” “Ratatouille” “Stuart little” estão aí pra nos mostrar como eles são carismáticos. Acabamos nos projetando neles, com suas fraquezas, medos e, no exemplo dos Guardiões, coragem e em como podemos ser bravos quando a situação exige.

É praticamente impossível não traçar um paralelo entre “Pequenos Guardiões” e “Maus” a obra épica de Art Spielgemann -um clássico dos quadrinhos, ganhador de um Eisner honorário -, que retrata em detalhes e com requintes de crueldades psicológicas os horrores sofridos pelos judeus na segunda guerra mundial. Onde os judeus eram ratinhos e os nazistas gatos. Franceses como sapos (óbvio) e americanos como cães (também óbvio). Não sei o que mais amei em Pequenos Guardiões. Só sei que aguardo ansioso pelos próximos números para rever nossos amigos peludinhos de capa e espadas em punho. Aqui o inverno já foi. Logo teremos a primavera e com ela muitos desafios. Animais saem da hibernação e oferecem um perigo enorme as grandes cidades ratas.

Pra quem tem filhos, ou simplesmente uma criança interior muito forte. Fica a dica. Leitura certa! Boto os pequenos guardiões entre meu top 5 capa e espada. Nada que chegue aos pés da maior obra de capa espada já feita pela mente humana. Mas essa eu deixo para o próximo texto, para contar em mais detalhes tal épica jornada, enfrentando o coelho de Caerbbanog, a legendária besta de aaaaarrrrrrggghhh e Jimmy.

Até o próximo post.

Minha história com quadrinhos e Daytripper

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Fala galera! Olha aqui eu denovo outra vez novamente. Hoje não apareci para fazer um texto tão intimista quanto o último. Mas ainda assim, como a proposta da coluna é vocês conhecerem um pouquinho mais do namorido e pai das gêmeas, falarei de um tema que me acompanha a vida toda, nesses arduos 22 anos de vida. Se depender de mim, vai acompanhar pelos proximos 22.. OH WAIT!

Vou escrever sobre QUADRINHOS. Isso mesmo, quadrinhos. História em quadrinhos. O certo seria estória em quadrinho, não? Nada de comics, graphic novels (mas que o termo é maneiro é. Novela gráfica), banda desenhada e afins. Aqui é quadrinho! (Acho que as pessoas já entenderam, amor… Marina invadindo)

Leio quadrinhos desde que me entendo por gente, e aprendi até a usar o troninho com eles. Esse hábito acabou me levando a sérias consequencia quando “adulto”, e.g. Não consigo ir ao armário dágua (tradução aproximada do inglês W.C.) sem estar devidamente munido de algum artefato de comunicação visual sequencial. E acabo sempre por me perder por horas, leia-se minutos, naquele mundo só meu em que sou o rei.

Creio que meu interesse por quadrinhos foi diretamente influenciado pelo meu pai, outro estusiasta da causa. Sempre tinhamos gibis da Turma da Mônica, disnI (pronunciem direito) e a grande obra do italiano Bonelli, Tex. Foi desse último que veio meu apreço por western ou faroestes. Na verdade veio de Lucky Luke, obra dos mestres franceses Uderzzo e Goschinni. Cheguei a ver tantas vezes a VHS, que o dono da videolocadora propôs ao meu patriarca que adquirisse tal título, pois já tinha investido em locações o preço de compra do filme.

Fui tão aficcionado por isso que chegava a usar a cueca por cima da calça, não no intuito de ser o onipresente Super-homem do universo de qualquer garoto, mas sim o cowboy mais rápido que a própria sombra dono do cavalo mais esperto do oeste. E do cachorro mais idiota. O apreço por gibis é tanto que até hoje meu pai é assinante de quadrinhos disney (não esqueçam da pronuncia correta), onde o malandro Zé Carioca reina absoluto no lugar mais alto do pódio dos bem queridos.

Como vocês podem ver a ligação é antiga. Lá pelos meus dez anos, junto com o inicio de grandes editoras como a Conrad e a JBC, que graças a mestres como André Forastieri e Cassius Medaur, trouxeram os títulos nipônicos ao Brasil. Com eles perdi minha alma e os próximos anos da minha vida. Me apaixonei. Dragon ball, sempre presente no inicio do milênio, passava na Cartoon, rede Globo, e em qualquer moloca com uma espinha de peixe e bombril. Cavaleiros do Zodíaco, o maior meteórico sucesso dos anos 90, com material inédito nunca antes visto em terras tupiniquins. O samurai que não mais matava, entre tantos outros que roubavam o suado dinheirinho que um menino de 11 anos consiguia ter.

Veja bem leitor, até esse momento da minha vida, ainda não havia tocado em clássicos da Marvel, e nem sabia nada do universo 616, ultimate. Muito menos da DC. Porém, comecei bem minha empreitada nessas terras. Foi um grande amigo, muito mais sapiente do que quem vos fala que indicou nada mais nada menos que Watchmen pra minha leitura e deleite. Logo mais indicou-me V de Vingança do mesmo autor e deus, Alan Moore. Devo muito a esse amigo, até hoje, inclusive 50 reais.

Assim, saí do mundo restrito dos quadrinho nipônicos e coreanos e descobri um admiravel novo mundo de possibilidades. Onde os quadrinhos ocidentais não eram somente Comics (comicos, vocês já tinham parado pra pensar nisso?) mas mais sombrinhos, ocultistas. Politicos. Inteligentes. Queria ler o universo inteiro. Não apenas os quadrinhos, mas os grandes clássicos da literatura que os inspiraram. Precisava ter a base de conhecimento pra entender as citações, alegorias e homenagens feitas. Precisava saber que o coringa era baseado num filme de 1928 chamado “O homem que ri” (muito bom por sinal) que, por sua vez, era diretamente adaptado do conto homônimo do grande escritor Victor Hugo, mesmo autor do clássico Os miseráveis. Eu precisava saber disso.

Foi assim que comecei a ler muito. Ler de tudo. Absorver de tudo. Entre indas e vindas de blogs, sites, fóruns, twitter e afins, muitas obras fantásticas cairam no meu colo. Quadrinhos ganhadores de premios Eisner, não ganhadores, obras reconhecidas, independentes… Mas toda essa introdução para chegar em que? A uma das melhores obras que li nos últimos anos. E isso vale pra livros tambem.

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Depois de toda essa estrada, finalmente chegamos a 3 anos atrás. Fazia poucos meses que havia sido lançada nos EUA uma obra chamada Daytripper. Pra minha surpresa de dois brasileiros. Gêmeos. Fabio Moon e Gabriel Bá. Eles são dois autores de quadrinhos renomados mundialmente, com muitos prêmios aqui e mundo afora na bagagem. E essa era a primeira graphic novel deles (vou me render ao termo momentanemente), uma historia fechada em um único tomo. Com começo, meio e fim. E que fim minha gente! O quadrinho deles é fantastico. Os gêmeos são contadores de história que acharam que a melhor forma de conta-la seria através de quadros. No blog deles, 10paezinhos.com.br vocês podem ver tiras semanais com uma profundidade sem igual. Alguns dizem até que seria uma melação de cueca. Eu acho existencial.

Voltando a Daytripper.Li o bendito no ano de 2011, em Janeiro ou Fevereiro. Lembro que li a original americana da Vertigo. Edição supimpa, coisa linda. E mais de um ano depois ganho de presente da então minha namorada e futura mãe de minhas gêmeas a fantástica edição brasileira feita pela Panini (OLHA O JABÁ! PANINI PATROCINA EU!) com o selo Vertigo. Já no inicio da edição tem um prefacio em quadrinhos de ninguém menos que o incrível Craig Thompson -mais sobre ele nos próximos episódios. Daytripper é uma história sobre a vida. Citando o Craig: “Escrever sobre a morte era facil”.

A história é sobre a de vida de Brás (nome que eu tanto queria pra uma dos meus possíveis filhos, mas logo descobrimes que seriam duas moças) de Oliva Domingos, um filho de escritor, também escritor e que acaba vivendo na sombra do próprio pai, ganhando a vida escrevendo obituários. De um jeito que somente os gêmeos conseguem, somos levados pela vida de Brás. Veja bem caro leitor. Pela vida. Brás, como muitos de nós, tem um trabalho, se apaixona e vive. Mas também, como muitos de nós, sabe o que é estar vivo mas não sente isso de forma plena.

Daytripper explora todo o potencial daqueles momentos tão especiais em que sentimos o que a vida realmente é. Quando damos o nosso primeiro beijo ou nos apaixonamos a primeira vez. Quando viramos pais ou alcançamos o objetivo de uma vida inteira. Quando morremos… Com um carinho quase maternal somos levados a pensar quando começa a história de nossas vidas. Somos levados a não nos deixar levar pela vida. Pois ela acaba. Do nada.

Carlos Ruiz Zafón – Marina

TAG nina

Estou muito feliz por estrear essa tag aqui no blog. Sempre gostei muito de literatura e confesso que não tenho um gênero favorito, assim como filme. Se alguém me fala sobre a história de um livro e eu acho interessante coloco na minha lista. Desde que fiquei grávida só lí revista Crescer, Pais & Filhos e Cláudia Bebê, hahahaha quem é mãe sabe. Dá aquele desespero de querer se informar o máximo possível pra tentar minimizar os erros, ou mesmo para descobrir qual é a sua posição acerca de um assunto que, quando você ainda não era mãe, nem passava pela sua cabeça. Fora alguns blogs que acompanhei e foram muito úteis, como o Dois pra lá e dois pra cá, um blog muito massa onde a mãe Samantha conta a vida dela com os gêmeos Theo e Melissa, super indico.

Essa introdução era para dizer que tinha um tempo que não escolhia um livro só pra mim e que não tivesse nada a ver com casa, comida, neném, casamento, etc… Era apenas um livro que uma amiga querida me indicou e eu resolvi ler. Resolvi ler e fazer algo pra mim, rs. Aliás, se tem algo que eu leio em tudo quanto é lugar e vejo claramente o quanto é necessário é que: Mãe feliz é melhor mãe, e a mãe tem que ser feliz por ela pra poder ser feliz pros filhos. Mas esse é assunto pra outro post e não vou me alongar.

O resultado de toda essa empolgação é que mesmo com duas gêmeas de 4 meses em casa consegui ler o livro em dois dias do fim de semana, óbvio que coloquei o Ricardo pra trabalhar, afinal, mãe não é burro de carga. Mas vamos ao que interessa, o livro!! Minha amiga Vic me indicou o autor e disse que todas as obras dele eram boas, estaria em bons ares em qualquer uma que escolhesse. Como o cara tinha um livro cujo título é “Marina”, adivinhem qual escolhi, rs?

O livro é incrível, daqueles que você não sabe por onde começar a escrever uma resenha. A narrativa  fica por responsabilidade do menino de 15 anos (não tenho certeza)  Óscar Drai, que mora/estuda num internato em Barcelona. A história se passa na década de 70 num bairro que antigamente era povoado por milionários em suas mansões e que, por motivos diversos foram falindo ou se mudando, tornando o local meio bucólico e cheio de casas lindas porém abandonadas. Numa das suas saídas pós aula, Óscar conhece Marina em uma situação meio inusitada e, após se  conhecerem um pouco melhor, ficam amigos. Marina leva Óscar a uma aventura num cemitério onde eles vêem uma mulher vestida de preto e um túmulo diferente dos demais e aí, meus amigos, é um abraço, você não quer mais parar de ler, rs.

O autor, Carlos Ruiz Zafón sabe mesmo te envolver na narrativa, o livro é pequeno (menos de 200 páginas) e daqueles que você tem vontade de devorar pra saber como termina. O final não sei dizer se foi surpreendente ou não, acho que no fundo eu não queria acreditar que acabaria daquela forma, até chorei gente, rs. Bom, Zafón escreveu “Marina” para ser um conto infanto-juvenil, mas que agradasse todas as idades. Como ele mesmo escreve na nota do autor: “Ao criá-los, eu estava tentando escrever o tipo de romance que gostaria de ter lido na infância, mas que também continuaria a me interessar as 23, 40 ou 43 anos de idade.” 

No mais, fica a dica minha gente, o livro é lindo, cheio de mistério e suspense, recomendo, recomendo e recomendo um milhão de vezes. É daqueles que te fazem parar pra pensar de uma forma relativamente leve. Quero ler todos os outros livros do Carlos.

QUOTE Marina Carlos Ruiz Zafón

Marina