Coisas que não nos contam sobre a CESÁREA

Eu lembro que quando estava grávida, procurei por sites que me esclarecem dúvidas sobre a gravidez, o operatório, o tipo de parto, o pós operatório, etc… A maioria me acrescentou com conhecimentos técnicos, mas o que eu procurava mesmo, eram mães que falassem sobre a REAL experiência delas. Nada de “comercial de margarina”, apenas a realidade nua e crua como ela é. Vou tentar aqui, o máximo que puder, descrever a minha.

Vocês já sabem (ou deveriam saber, rs) que sou mãe de gêmeas(!). Por conta disso, a minha gravidez teve algumas peculiaridades, que provavelmente a maioria das mães não passou. Porém, de forma geral, acho que dá pra aproveitar bastante. Vamos começar pelo tipo de parto: Eu, antes de saber que eram gêmeas, queria muito conseguir ter parto normal. Não, não levanto nenhuma bandeira pra causa, não acho que mulher que tem parto normal é mais mãe do que quem faz cesárea, essa é a coisa mais idiota que eu já ouvi, mas enfim… Eu gostaria de ter parto normal, pelo simples fato de que, querendo ou não, a cesárea é uma cirurgia e não é das menores. O obstetra corta 7 (S E T E!) camadas entre pele, músculo e gordura. É bastante trauma pro corpo se recuperar, o que significa mais tempo sentindo dor. No parto normal, o menino sai, você levanta e vai embora, cabô o sofrimento! Sente dor na hora e é isso. O que pode acontecer é a mulher não ter dilatação o suficiente e o médico cortar aquela pele que fica entre a vagina e o ânus (sim, é nojento, mas faz parte e nem sempre é necessário) pra facilitar a saída do neném. Poxa, muito mais fácil de se recuperar, não é?

MAS (e sempre tem um mas), minhas gêmeas estavam na mesma placenta e a minha obstetra disse que era muito mais seguro pra elas fazer a cirurgia, então, vamos enfrentar a faca, fazer o que? Fui pra faca e hoje, três meses depois do parto eu falo: Como eu queria poder ter tido parto normal! Aqui entra mais uma das peculiaridades, como eram duas meninas ao invés de uma, o corpo sofreu mais na hora da cirurgia para que elas nascessem. Eu fiquei mais tempo aberta, os médicos tiveram que fazer força duas vezes, etc… Consequentemente, a minha recuperação ainda foi um pouquinho pior. E aqui vem: O QUE NINGUÉM NOS CONTA SOBRE A CESÁREA! O pós operatório é HORRÍVEL! Você faz xixi por um catéter por praticamente 24 horas, não sente seu corpo por causa da anestesia, meus pés formigaram por quase três dias e eu nem cheguei na pior parte: O BANHO. O primeiro banho e a primeira ida ao banheiro são insanas. É desumano. Quem disse que você consegue ficar ereta? Eu fiquei uns 15 dias andando um pouco curvada. Quando eu me esticava um pouco mais a sensação que dava era que os pontos estavam abrindo e eu tava sangrando e definhando até a morte (licença poética a parte, hahaha, não é exagero). Eu comecei a tomar banho SOZINHA depois de mais de um mês de cirurgia, pensa…

Outro momento horrível: A primeira ida ao banheiro (número dois). Tem uma palavra que descreve bem: morte. Você prefere a morte. Não dá pra fazer força, dói, dói demais pra ficar sentada, ai gente, não vou me alongar não porque né? Ninguém merece ficar lendo essas coisas. Eu trocaria fácil todas as sensações e dificuldades que tive por um parto normal. Por 24horas de contrações (eu tive 4 horas) e depois, puff, cabô! Mas, como eu sempre prego, a decisão vai de cada um. Faça aquilo que VOCÊ se sentir confortável. O seu coração manda, e não o da sociedade, ou o da sua mãe, da sua sogra e etc…É você que vai ser mãe e esse é o SEU momento. Então pesquise, leia e se informe muito até encontrar um caminho que seja confortável pro seu coração.

Eu fico pensando e divagando…. Como as minhas babys nasceram prematuras, foram direto para o CTI. A Manuela ficou 15 dias e a Melissa 54 dias antes de vir pra casa. Eu fiquei sem neném 15 dias em casa e isso, pra minha recuperação, foi ótimo. Quando a Manuela chegou eu já estava bem melhor fisicamente para cuidar dela, o que não é usual. Normalmente o neném recebe alta com você do hospital e três dias depois já está todo mundo em casa. Então eu ainda fico imaginando como é se recuperar de uma cirurgia tendo que amamentar um serzinho de três em três horas, sem conseguir dormir, sem conseguir comer, só sentindo dor… A única palavra que me vem é: AJUDA! Consigam ajuda! Depressão pós parto é muito comum quando as mães ficam muito cansadas e não conseguem dormir. Então durmam, durmam MUITO e consigam ajuda. Se você não quiser sua mãe, sua sogra ou algum parente pra ele não ficar dando pitaco e tiver condições de pagar, eu falo, por experiência própria que contratar uma enfermeira vale MUITO a pena. Eu fiz muita amizade com algumas do CTI e depois as trouxe pra passar uma semana aqui em casa quando a Manu chegou pra me ensinarem tudo direitinho. Aprendi bastante e me sinto muito segura cuidando das duas, foi uma experiência bem válida, até porque os cuidados com neném mudaram muito de uns tempos pra cá, então é sempre bom dar uma atualizada.

Bom, acho que consegui colocar tudo (ou quase tudo) aqui. Espero que o post tenha sido útil. Depois escrevo sobre outras coisas que as pessoas não nos contam sobre a gravidez. Vou dividir por temas senão o post fica muito extenso. 

Marina Laterza

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