Quadrinho: Mouse Guard

TAG RICARDOQuem aqui já leu Senhor dos Anéis? Quem é fã da obra do J.R.R. Tolkien? Leram Silmarillion também? Contos Inacabados? Ou só viram os filmes e se dizem os maiores fãs? Posers! E Crônicas de Gelo e Fogo? Game of Thrones? Alguém?Imagino que muitos devem ter lido o primeiro livro. Uma chaproca de mais de 600 páginas. As Incríveis Crônicas Saxônicas do Cornwell? Romances semi-históricos da fundação do que viria a ser o outrora Grande império Britânico. Eu li. Tudo. Li todos os livros do Tolkien, os cinco oficias de Crônicas de Gelo e Fogo e já tenho em mãos a Trilogia do Cavaleiro (Spin-Off da série). Li os seis livros do Cornwell. Gosto muito de quase tudo que envolve fantasia medieval, não somente a fantasia em si. Além desses dois gêneros, gosto muito de história também.

Lembro que quando era pequeno, uma das minhas maiores diversões era ler livros de história medieval, pra descobrir mais e mais sobre aquele mundo tão diferente do que eu vivia. Era incrível! Por favor tenham em mente que, quando situo o tempo como medieval, o que me vem a cabeça são reis, cavaleiros, vikings, bárbaros e todo um universo que envolve países europeus entre 500 d.C. até 1500 d.C. Como disse, adoro fantasia medieval. Esse “que” a mais que as lendas medievais proporcionam, fazem desse período muito interessante.

Meu filme favorito durante anos, quando criança, era Coração de Dragão, depois Coração Valente e por ultimo Conan. Dentro desse universo todo, tão explorado na cultura pop, alguns anos atrás me deparei com um um quadrinho chamado, The Northlanders, da Vertigo. Vikings, selo adulto. Imaginei que teria uma dose cavalar de violência e histórias pra lá de complexas. Ledo engano, apesar do traço ser bonito, a história não era complexa nem violeta, era sim bem levinha, tanto que a série foi cancelada alguns exemplares depois.

Algumas semanas atrás, vasculhando confins da internet durante o horário de almoço, me deparo com um quadrinho que tinha levantado minha curiosidade anos atrás. Na minha fase de mangás (quadrinhos japoneses) a quase finada, praticamente zumbi, Editora Conrad, havia lançado alguns livros de uma série chamada “Pequenos Guardiões“. Em inglês, Mouse Guard. Lembrei de ter visto esse nome na lista de ganhadores do Eisner meses atrás.

Mouse-Guard-v1-Fall-1152-GN-Cover

Fui atrás e consegui toda série até então lançada. Ela é bimestral e continua em atividade desde 2006. É pequena, quatro tomos de 150 páginas cada contado uma história só. Simples,  até meio boba, com diferentes níveis de interpretação. Mas é linda! O traço do desenho é muito bacana. David Petersen se mostra um dos melhores ilustradores da atualidade. A imersão que seu traço oferece…. MEU DEUS. Cada quadro da banda desenhada é uma obra de arte. “Pequenos Guardiões” chama a atenção pelo formato -quadrado 8″x 8″. E podem julgar os livros pelas capas. porque olhem, que capas!

Como eu disse, a história é simples, concentrada, porém densa. A ideia do autor era criar um enredo voltado ao público infantil. Entretanto, com uma série de toques maduros, David conseguiu superar esse rótulo e transformar a série num quadrinho para todas as idades. Torço muito que minhas filhas possam usufruir desse álbum assim que aprenderem a ler. Tenho certeza que ficarão fascinadas. Quem não vai amar ratinhos “mosqueteiros” que patrulham e protegem com unhas e espadas (ou o que tiverem em mãos) o reino dos ratos de invasores como as doninhas, cobras, raposas e gaviões?

Mouse Guard

O que mais levantou minha curiosidade foi: Porque ratinhos? Será que por ser um dos mais indefesos animais da natureza, e por ser mamífero, conseguimos ter uma certa projeção de nossa pessoa neles? Eles obviamente representam os humanos, são nossos avatares no mundo imaginário de Peteresen. Porém, mais de uma vez me pergunto como temos tamanha simpatia com nossos entes peludos e roedores? Ratos estão ai na nossa cultura popular, tanto quanto cavaleiros medievais, vikings, bárbaros. Filmes como “Um ratinho encrenqueiro” “Ratatouille” “Stuart little” estão aí pra nos mostrar como eles são carismáticos. Acabamos nos projetando neles, com suas fraquezas, medos e, no exemplo dos Guardiões, coragem e em como podemos ser bravos quando a situação exige.

É praticamente impossível não traçar um paralelo entre “Pequenos Guardiões” e “Maus” a obra épica de Art Spielgemann -um clássico dos quadrinhos, ganhador de um Eisner honorário -, que retrata em detalhes e com requintes de crueldades psicológicas os horrores sofridos pelos judeus na segunda guerra mundial. Onde os judeus eram ratinhos e os nazistas gatos. Franceses como sapos (óbvio) e americanos como cães (também óbvio). Não sei o que mais amei em Pequenos Guardiões. Só sei que aguardo ansioso pelos próximos números para rever nossos amigos peludinhos de capa e espadas em punho. Aqui o inverno já foi. Logo teremos a primavera e com ela muitos desafios. Animais saem da hibernação e oferecem um perigo enorme as grandes cidades ratas.

Pra quem tem filhos, ou simplesmente uma criança interior muito forte. Fica a dica. Leitura certa! Boto os pequenos guardiões entre meu top 5 capa e espada. Nada que chegue aos pés da maior obra de capa espada já feita pela mente humana. Mas essa eu deixo para o próximo texto, para contar em mais detalhes tal épica jornada, enfrentando o coelho de Caerbbanog, a legendária besta de aaaaarrrrrrggghhh e Jimmy.

Até o próximo post.

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