Minha história com quadrinhos e Daytripper

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Fala galera! Olha aqui eu denovo outra vez novamente. Hoje não apareci para fazer um texto tão intimista quanto o último. Mas ainda assim, como a proposta da coluna é vocês conhecerem um pouquinho mais do namorido e pai das gêmeas, falarei de um tema que me acompanha a vida toda, nesses arduos 22 anos de vida. Se depender de mim, vai acompanhar pelos proximos 22.. OH WAIT!

Vou escrever sobre QUADRINHOS. Isso mesmo, quadrinhos. História em quadrinhos. O certo seria estória em quadrinho, não? Nada de comics, graphic novels (mas que o termo é maneiro é. Novela gráfica), banda desenhada e afins. Aqui é quadrinho! (Acho que as pessoas já entenderam, amor… Marina invadindo)

Leio quadrinhos desde que me entendo por gente, e aprendi até a usar o troninho com eles. Esse hábito acabou me levando a sérias consequencia quando “adulto”, e.g. Não consigo ir ao armário dágua (tradução aproximada do inglês W.C.) sem estar devidamente munido de algum artefato de comunicação visual sequencial. E acabo sempre por me perder por horas, leia-se minutos, naquele mundo só meu em que sou o rei.

Creio que meu interesse por quadrinhos foi diretamente influenciado pelo meu pai, outro estusiasta da causa. Sempre tinhamos gibis da Turma da Mônica, disnI (pronunciem direito) e a grande obra do italiano Bonelli, Tex. Foi desse último que veio meu apreço por western ou faroestes. Na verdade veio de Lucky Luke, obra dos mestres franceses Uderzzo e Goschinni. Cheguei a ver tantas vezes a VHS, que o dono da videolocadora propôs ao meu patriarca que adquirisse tal título, pois já tinha investido em locações o preço de compra do filme.

Fui tão aficcionado por isso que chegava a usar a cueca por cima da calça, não no intuito de ser o onipresente Super-homem do universo de qualquer garoto, mas sim o cowboy mais rápido que a própria sombra dono do cavalo mais esperto do oeste. E do cachorro mais idiota. O apreço por gibis é tanto que até hoje meu pai é assinante de quadrinhos disney (não esqueçam da pronuncia correta), onde o malandro Zé Carioca reina absoluto no lugar mais alto do pódio dos bem queridos.

Como vocês podem ver a ligação é antiga. Lá pelos meus dez anos, junto com o inicio de grandes editoras como a Conrad e a JBC, que graças a mestres como André Forastieri e Cassius Medaur, trouxeram os títulos nipônicos ao Brasil. Com eles perdi minha alma e os próximos anos da minha vida. Me apaixonei. Dragon ball, sempre presente no inicio do milênio, passava na Cartoon, rede Globo, e em qualquer moloca com uma espinha de peixe e bombril. Cavaleiros do Zodíaco, o maior meteórico sucesso dos anos 90, com material inédito nunca antes visto em terras tupiniquins. O samurai que não mais matava, entre tantos outros que roubavam o suado dinheirinho que um menino de 11 anos consiguia ter.

Veja bem leitor, até esse momento da minha vida, ainda não havia tocado em clássicos da Marvel, e nem sabia nada do universo 616, ultimate. Muito menos da DC. Porém, comecei bem minha empreitada nessas terras. Foi um grande amigo, muito mais sapiente do que quem vos fala que indicou nada mais nada menos que Watchmen pra minha leitura e deleite. Logo mais indicou-me V de Vingança do mesmo autor e deus, Alan Moore. Devo muito a esse amigo, até hoje, inclusive 50 reais.

Assim, saí do mundo restrito dos quadrinho nipônicos e coreanos e descobri um admiravel novo mundo de possibilidades. Onde os quadrinhos ocidentais não eram somente Comics (comicos, vocês já tinham parado pra pensar nisso?) mas mais sombrinhos, ocultistas. Politicos. Inteligentes. Queria ler o universo inteiro. Não apenas os quadrinhos, mas os grandes clássicos da literatura que os inspiraram. Precisava ter a base de conhecimento pra entender as citações, alegorias e homenagens feitas. Precisava saber que o coringa era baseado num filme de 1928 chamado “O homem que ri” (muito bom por sinal) que, por sua vez, era diretamente adaptado do conto homônimo do grande escritor Victor Hugo, mesmo autor do clássico Os miseráveis. Eu precisava saber disso.

Foi assim que comecei a ler muito. Ler de tudo. Absorver de tudo. Entre indas e vindas de blogs, sites, fóruns, twitter e afins, muitas obras fantásticas cairam no meu colo. Quadrinhos ganhadores de premios Eisner, não ganhadores, obras reconhecidas, independentes… Mas toda essa introdução para chegar em que? A uma das melhores obras que li nos últimos anos. E isso vale pra livros tambem.

daytripper_01

Depois de toda essa estrada, finalmente chegamos a 3 anos atrás. Fazia poucos meses que havia sido lançada nos EUA uma obra chamada Daytripper. Pra minha surpresa de dois brasileiros. Gêmeos. Fabio Moon e Gabriel Bá. Eles são dois autores de quadrinhos renomados mundialmente, com muitos prêmios aqui e mundo afora na bagagem. E essa era a primeira graphic novel deles (vou me render ao termo momentanemente), uma historia fechada em um único tomo. Com começo, meio e fim. E que fim minha gente! O quadrinho deles é fantastico. Os gêmeos são contadores de história que acharam que a melhor forma de conta-la seria através de quadros. No blog deles, 10paezinhos.com.br vocês podem ver tiras semanais com uma profundidade sem igual. Alguns dizem até que seria uma melação de cueca. Eu acho existencial.

Voltando a Daytripper.Li o bendito no ano de 2011, em Janeiro ou Fevereiro. Lembro que li a original americana da Vertigo. Edição supimpa, coisa linda. E mais de um ano depois ganho de presente da então minha namorada e futura mãe de minhas gêmeas a fantástica edição brasileira feita pela Panini (OLHA O JABÁ! PANINI PATROCINA EU!) com o selo Vertigo. Já no inicio da edição tem um prefacio em quadrinhos de ninguém menos que o incrível Craig Thompson -mais sobre ele nos próximos episódios. Daytripper é uma história sobre a vida. Citando o Craig: “Escrever sobre a morte era facil”.

A história é sobre a de vida de Brás (nome que eu tanto queria pra uma dos meus possíveis filhos, mas logo descobrimes que seriam duas moças) de Oliva Domingos, um filho de escritor, também escritor e que acaba vivendo na sombra do próprio pai, ganhando a vida escrevendo obituários. De um jeito que somente os gêmeos conseguem, somos levados pela vida de Brás. Veja bem caro leitor. Pela vida. Brás, como muitos de nós, tem um trabalho, se apaixona e vive. Mas também, como muitos de nós, sabe o que é estar vivo mas não sente isso de forma plena.

Daytripper explora todo o potencial daqueles momentos tão especiais em que sentimos o que a vida realmente é. Quando damos o nosso primeiro beijo ou nos apaixonamos a primeira vez. Quando viramos pais ou alcançamos o objetivo de uma vida inteira. Quando morremos… Com um carinho quase maternal somos levados a pensar quando começa a história de nossas vidas. Somos levados a não nos deixar levar pela vida. Pois ela acaba. Do nada.

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